
Outro dia o Papa falou um negócio que saiu na imprensa mais ou menos assim “camisinha não funciona”. Na verdade ele não falou bem isso, mas foda-se, né? O Papa já nasceu errado.
Aí uma amiga minha fala no Twitter* que isso é um absurdo que ela queria que o Papa morresse. Assim. Isso é o que o Papa tem que fazer para agradar a ela. Na verdade é um pouco mais complexo. Comentando que o Lancet estava exigindo que o Papa se retratasse, ela disse que na verdade ela “queria que ele morresse, mas se retratar é melhor do que nada”.
Para ficar bem aos olhos dela, não basta o Papa se retratar. Não basta o Papa abençoar o casamento gay. Não basta o Papa ensinar, no seu próximo Urbe et Orbi, a técnica apropriada da colocação da camisinha em um pepino – o Papa lá, colocando a camisinha no pepino, apertando a ponta para eliminar as bolhas de ar e evitar o rompimento do preservativo, explicando tudo direitinho. Uma drag queen segurando o microfone. Três ou quatro leather daddys ali na sacadinha com ele, dando tchau e jogando camisinhas pra galera. Isso não basta. Talvez seja melhor que nada também. Mas ela preferia mesmo que o Papa morresse.
Mas o foda é o seguinte – É muito confortável querer espetar os males do mundo nas costas da sociedade ocidental, representada neste momento por Sua Santidade, mas o problema é quando os fatos entram em conflito com a fantasia conspiratória que uns homens de batina nada mais querem do que dominar as pessoas, tirar a graça da vida, e confiscar o direito inalienável dos rapazes deste mundo de sair metendo a vara em qualquer coisa que se mova, desde que, claro, use camisinha. O mesmo vale para as moças. Não a parte de meter a vara, você me entende – ou vai exigir que eu use a expressão “abrir as pernas”? Thanks.
Então. Começa com o fato que o Papa não disse “camisinha não funciona”. Ele disse “distribuição de camisinha não funciona”, o que são duas coisas radicalmente diferentes. Mas, aí, tô nem azul né? Que se foda o que o Papa disse.
Então II. Aí para complicar ainda mais o problema, aparece do nada um tal de Edward Green e vai no Washington Post para escrever peraí gente – é bem possível que o Papa esteja certo. É bem possível que distribuição de camisinhas não funcione e quiçá até piore o problema. E é bem possível que só uma coisa funcione: a decisão individual de segurar a onda, tomar um banho frio, ler um livro, rezar um terço, descascar o palhaço. E quem é esse tal de Edward Green? Bem, ele parece saber uma coisa ou outra sobre o assunto.
Mas que se foda o Papa, né? Papa bom é Papa morto. E que se fodam também os moços e as moças da África – sempre usando camisinha, claro.
——-* Eu não comentei sobre esse assunto com minha amiga nem sei se ela lê este blog. Ia falar, mas quando vi o tweet já tinha passado tempo e aí perdeu-se o momentum. Mas caso ela apareça por aqui, recado para ela: discordo em gênero, número e grau de você, mas tudo como dantes no quartel de abrantes, darling. Um abraço para você e para o marido e hope to see you again soon!