Archive for maio, 2009

Rodrix

sexta-feira, maio 29th, 2009

Para ler ouvindo.

Fico sabendo, depois de todo mundo, que morreu Zé Rodrix. Não vou ser hipócrita e ficar falando aqui “que perda, etc.” Nem conhecia a obra do sujeito direito, que dirá o próprio. Tudo que eu sabia dele eram duas coisas: UM ele era do Sá, Rodrix & Guarabyra quando eles compuseram a música acima (que eu acho que está no top 10 da música brasileira) e DOIS ele dizia que a tal da Lei Rouanet era uma babaquice.

Sobre o item dois, em tempos imemoriais eu escrevi um post no saudoso (sic) RTFM sobre a surpresa que tive com uma declaração de Zé Rodrix. Vou repetir aqui na íntegra. ROLL THE TAPE.

Zé Rodrix se recusa a meter a mão no que é seu

Do blog do Bruno Garschagen vem uma notícia das mais inacreditáveis que eu já li, tirada d’O Globo. Leia aí que eu comento depois:

Tem Lei Rouanet? Estou fora

Músico pede para sair de espetáculo com incentivo fiscal

O músico Zé Rodrix, um dos diretores do espetáculo “Rei lagarto”, sobre a vida de Jim Morrison, pediu demissão. Tomou a decisão ao ler, em Gente Boa, que a peça, com estréia marcada para outubro, teria fundos da Lei Rouanet. Ele enviou o seguinte e-mail aos produtores:

“Acabo de descobrir exatamente nos detalhes desta notícia que não vou mais participar do projeto. Vocês conhecem a minha opinião sobre Renúncia Fiscal e Leis de Incentivo. Enquanto isto era um empreendimento privado, no máximo com os patrocínios e os apoios diretos de empresas que se associariam ao empreendimento, eu estava dentro. Infelizmente, ao entrar na jogada da Lei Rouanet, MiniCul etc., ele se torna impossível para mim.

Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.

Desejo ao pessoal da produção o máximo de sorte e sucesso possíveis, e sei que serão muito felizes, graças à qualidade artística de todos os envolvidos.”

É mole? Eu sei, volta lá e lê de novo. Parece sacanagem. Volta lá, lê de novo. Eu espero.

(…)

É mole? Não tenho outras palavras para descrever – JE SUIS CHOQUÊ. Veja bem, queridão – eu imagino que existam outros artistas que também, sejam, a princípio, contra o ASSALTO À MÃO ARMADA que se tornou a cultura brasileira desde a introdução das leis de renúncia fiscal. MAS DAÍ A SE RECUSAR A ENTRAR NO TREM DA ALEGRIA, ou pedir para sair depois que ele já está em movimento, aí já é demais. Eu achei que ia morrer sem ver isso.

E COMO SE NÃO BASTASSE, ainda escreve uma carta pública mostrando que ENTENDE DO QUE ESTÁ FALANDO e passando um sabão nos estelionatários que estão aí fazendo OBRAS DE ARTE com o seu dinheiro.

Zé Rodrix, eu te amo. Eu estou até emocionado. Você acabou de fazer por merecer o meu dinheiro, sério. Faz favor, meu filho, dá uma passada aqui em casa, passa aqui nesse finde que eu te faço um cheque.

Zé Rodrix, você é meu ídolo.

Interessantemente, esse post virou um local de peregrinação de esquerdopatas de todos os tamanhos e plumagens. Uma população diversa, unida por uma única característica: a total falta de escrúpulos em meter a mão no bolso alheio. Separei abaixo alguns dos comentários mais interessantes (são quase todos, na verdade). Os grifos são meus. ROLL THE TAPE.

Caro, me desculpe, mas essa posição do Zé Rodrix é pura hipocrisia, além de outros adjetivos mais escatológicos, que não vale a pena expor. Depois de ser o maior “jingleiro” chapa-branca na época da ditadura ele resolve virar (de público) o cocho onde se alimentou por anos… Podemos falar de várias formas da Lei Rouanet, mas ela possibilitou que vários grupos de arte popular se fizessem conhecidos, bem como espetáculos maravilhosos, idem… Basta ver hoje o “Porto Alegre em Cena”, originado e iniciado com esta verba… Sei das dificuldades de se conseguir estes recursos desta forma. De cada 1.000 projetos aprovados, 20 recebem dinheiro. E para isso, muita batalha e muitos “nãos” são ouvidos… Acho que o Sr. Zé Rodrix não tem moral para falar deste assunto.

Fora o certo nojinho que me dá de pensar no “Porto Alegre em Cena”, eu gosto mesmo é dessa estatística: para cada 1.000 projetos aprovados, 20 recebem dinheiro. O que significa que houveram 980 projetos PIORES que o “Gatão de Meia Idade – O Filme” (eu adoro essa porra desse exemplo e não consigo parar de usar, foda-se). Pense nisso. Ah e claro: ZÉ RODRIX = COLABORACIONISTA ASSIM COM OS HOME.

Eu acho muito engraçado esta postura do artista, pois vemos tantos projetos excelentes que não recebem de forma alguma apoio do setor privado. Consequentemente estão por ai muitos artistas pobres que pelo amor a arte não têm nem comida em casa. Agora vejamos uma coisa… gasta-se tanto dinheiro público sem explicação, investir o dinheiro público em ARTE é um bom começo para mudar o país. As crianças/artistas do futuro agradecem!!

Adoro essa coisa mitológica, arquetípica, do gênio esfomeado, mal nutrido, tuberculoso, morando em um sótão imundo, de favor, esperando seu break, sua chance para MUDAR A SOCIEDADE OCIDENTAL e REVOLUCIONAR O MUNDO COM A SUA ARTE. E se você não puser a mão no bolso, caro amigo, nosso artista vai morrer deitado em uma poça do próprio sangue em um acesso de tosse e o mundo não vai ser virado de ponta-cabeça pelo seu gênio incompreendido. Se você não puser a mão no bolso AGORA, vai ser tarde demais. Adoro essas discussões que se desenvolvem com base nessas personas, esses seres que não existem na verdade mas que se existissem, bem, VOCÊ NÃO FARIA ALGO A RESPEITO? É o mesmo tipo de gente que gosta de ter longas discussões sobre crime e castigo (não o livro, mas os atos) só para poder falar “MAS E SE FOSSE SUA FILHA?”. Resposta automática Plus Ultra: “MAS E SE MINHA AVÓ FOSSE HOMEM?” “hã?” “EU TERIA TRÊS AVÔS. Anota aí no caderninho pra usar quando precisar.

Outra coisa que chama a atenção é a lógica do “já que se desperdiça tanto dinheiro nessa merda então PINGA NI MIM CARALHO”. Eu honestamente acredito que uma pessoa que não enxerga problema nessa afirmação está a um passo do latrocínio como profissão.

Infelismente acho que o sr mandou mau… Lei de incêntivo é a única esperança para muitos artistas especialmente para os menos favorecidos, lembre-se que o sr tambem teve seu começo. Se usada corretamente e sem atravessadores é exelente.

Bem – esse aqui eu não acho nem peculiar nem interessante, eu só acho ENGRAÇADO PRA CARALHO quando um sujeito tomado por uma indignação que não consegue mais conter no peito, resolve se engajar no debate livre, aberto e franco da internet. Poucas coisas me divertem mais, eu juro. Acho que é um daqueles momentos reveladores da natureza humana. O intelecto do cidadão mal absorveu os rudimentos da língua escrita e ele já se sente equipado para debat- AH, FODA-SE – INCÊNTIVO: LOL.

Essa posição radical do Zé Rodrix é uma puta estupidez. Para o conhecimento dele que coitado, como músico não tem a obrigação de ter um raciocínio econômico mais desenvolvido tenho a dizer o seguinte: Todo governo quando quer desenvolver uma atividade que considera estratégica faz por bem utilizar-se do seu poder de arbitrar preços para incentivar essa ou outra atividade. Todos os países desenvlvidos criam incentivos fiscais quando querem desenvolver uma determinada indústria ou tecnologia. Reduzir impostos é uma delas. Alíás no Brasil temos vários exemplos de subsidios que resultaram em benefícios. Quem não se lembra do Proálcool que hoje garantiu uma posição de vantagem da indústria brasileira no setor de combustíveis renováveis. Porque a Cultura não poderia receber recursos públicos incentivados ? O cinema tem recebido à anos e hoje além de gerar empregos de toda ordem essa indústria nascente começa a revelar talentos que sem o incentivo fiscal á essa atividade econômica talvez não tivessem a chance de mostrar oa mundo a sua menssagem (arte tem que ser vista como atividade econômica sim, pois que nem só de pincípíos, poesia e purismos ideológicos vivem os artistas)O que o Zé Rodrix fez foi o equivalente à um empresário dizer. Não não, não quero a ajuda do governo par incentivar o meu negócio pois acho que ele não é digno e não merece um empurraozinho. E ainda pior, mesmo sabendo que no seu stor de atividade grande parte das empresas estava falindo. Ora isso é burrice. Ainda mais quando a indústria cultural é algo pecliar. A arte precisa ser valorizada e ncentivada de todas as formas possíveis pois ela tem o poder transformador. Mexe com os sentimentos e com os pensamentos dos homens, é um instumento trasnformador e naõ pode ficar abafada na penúria e na falta de recursos. Toda a ajuda é bem vinda e a Lei Rouanet é um desses instumentos que muito tem contribuido para ajudar a arte no Brasil

Esse é o meu favorito, porque o sujeito claramente tem ali o seu curso superior (sic) e quiçá uma certa leitura (sic). Ele começa com uma interessante explanação sobre como o mecanismo da renúncia fiscal é uma arma importante do governo para desenvolver setores estratégicos e finge que ninguém vê o TAMANHO DO NON SEQUITUR quando ele começa a falar em aplicar a mesma lógica para a cultura. E mais curioso ainda, ali no meio ele diz “arte tem que ser vista como atividade econômica, sim”, mas imagino que um tipo ALIENÍGENA de atividade econômica onde o risco é zero e a necessidade de criação de valor é inexistente.

Note-se novamente o papo da arte na penúria, do pobre coitado do artista tuberculoso em seu sótão – olha ele aí de novo, coitado. ASSINA UM CHEQUE PRA ELE AÍ, DESALMADO.

Sr.Bernardo, Zé Rodrix, no meu entender, não se fez claro, ou, ainda, não tinha intenção de sê-lo. A produção Sorriso do Lagarto, realmente, não é merecedora de subsídios governementais, pois, seu objetivo é a obra do,excelente, artista norte-americano Jim Morrison, ou seja, alguém, já morto, que nada contribui ou acrescenta à cultura brasileira, portanto, trata-se de um projeto que jamais deveria ter sido aprovado. Captar patrocínios diretos junto ao perverso empresariado nacional, na verdade, é privilégio para poucos, Rodrix deve ser um deles, pois, como é sabido, há muito tempo trabalha para o setor publicitário. Setor este que não prima pelo apoio à cultura nacional, e, sim, visa, tão-somente, a obtenção de lucros, e o faz sob a total ausência de escrúpulos éticos ou morais. Sua atitude foi digna em relação, específicamente, a este projeto, mas, condenar as migalhas destinadas à cultura nacional é dose! A sociedade brasileira, definitivamente, não é composta só pela classe média pretensamente elitizada. Nela, também, sobrevivem, ou tentam, artistas oriundos de comunidades pobres, que, nem por isto têm menor valor. Estes, verdadeiros representantes de nossa cultura, não encontram patrocínios empresariais diretos nem no botequim da esquina!!! Falo como admirador da obra de Zé Rodrix desde Zé, Rodrix e Guarabira.

Duas coisas: 1) Estivesse eu cobrando por vírgula, milionário eu estaria. 2) Show de bola a lógica esquerdopata revolucionária onde o mercado publicitário não somente não apóia a cultura nacional mas busca apenas a obtenção de lucros (e daí?) e, como se não bastasse, o faz num vácuo de “escrúpulos éticos ou morais” (o que nem precisa falar, porque na cabeça dessas cavalgaduras a simples busca do lucro já denota a “ausência de escrúpulos”).

Bem, chega né? É esse então o grande legado de Zé Rodrix, junto com Mestre Jonas – ele tirou uma meia dúzia de gatos pingados esquerdopatas do sério e escreveu uma das grandes canções da MPB. Nós, comuns mortais, só podemos sonhar em realizar tanto.

Edson

terça-feira, maio 5th, 2009

Sozinho, com fome e a pé em um hotel em Burlington, MA. Tenho uma noite provavelmente em claro à frente. Tenho que terminar o bilionésimo powerpoint da minha carreira para um workshop amanhã. Já saí ontem com o pessoal que está aqui comigo, dois israelenses e um russo, foi ótimo e tal, mas melhor não forçar a amizade e sair de novo, hoje é dia de se recolher. Resolvo pedir uma pizza na Domino’s que é barato e rápido, e depois do pedido ainda rola de ficar acompanhando o desenrolar da sua pizza num lance-a-lance ao vivo na web. De repente eis que vejo a mensagem “Edson has put your order in the oven”. Edson, trabalhando numa Domino’s, em Massachusetts – aposto que é do interior de Minas. E eis que de repente eu me sinto um pouco menos sozinho.

Não existe glamour que resista à realidade do business travel.