Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Vento na lua

sábado, agosto 14th, 2010

Christopher Hitchens escreveu um artigo para a Slate sobre a viagem que fez à Venezuela com Sean Penn. Foi publicado há quase duas semanas, mas só tive tempo de ler agora.

Tem um pequeno trecho deste artigo que achei tão fenomenal que fiz uma tradução livre para o português e publico aqui. É o tipo de coisa que deve-se ter à manga caso você tenha o infortúnio de cruzar com um chavista pelo caminho.

Enquanto aumentava a intensidade de sua (de Chávez) diatribe contra a América, (Sean) Penn o interrompeu para dizer que com certeza Chávez ficaria feliz em ver Osama Bin Laden preso.

Fiquei impressionadíssimo com a maneira que o chefe (Chávez) desdenhou este aparte. Basicamente, ele duvidou da existência não só da al-Qaeda, mas dos relatos de seus ataques ao seu inimigo ao norte. “Não sei de nada sobre Osama Bin Laden que não venha através do filtro do Ocidente e de sua propaganda.” Penn então respondeu que Bin Laden produziu e distribuiu uma grande quantidade de gravações em áudio e vídeo. Fiquei impressionado novamente com a maneira que Chávez rejeitou esta última chance de demonstrar alguma lucidez. Disse que estas supostas evidências eram também um mero produto da televisão imperialista, afinal “existem filmes dos americanos aterrisando na lua,” disse. “Isto significa então que a viagem à lua realmente aconteceu? No filme, a bandeira Yanqui está desfraldada, paralela ao chão. Então quer dizer que existe vento na lua?” Enquanto Chavéz se regojizava do triunfo de sua lógica, um mal-estar desceu sobre meus camaradas e sobre a discussão.

O trecho dispensa comentários. Só resta lamentar que Oliver Stone não estava lá com sua câmera – esse pequeno diálogo ia ser a cereja do bolo da sua magnum opus.

P.S.: Alguém devia mandar o DVD deste episódio dos Mythbusters para o Chávez.

A joy forever

sábado, julho 17th, 2010


Jørgen Leth, “The Perfect Human” (1967). Curta-metragem.

P.S.: O documentário “The Five Obstructions” de Lars von Trier é centrado em “The Perfect Human”. Se você gostou de um, vale a pena ver o outro. Pena que seja muito chato, como tudo que Lars von Trier já fez na vida.

Alô Antonio Gramsci

sexta-feira, julho 2nd, 2010

Assistindo à Globo Internacional, hoje de tarde, me deparo com essa pérola. Sim, na TV Globo do Dr. Roberto. O vil conglomerado que elegeu o Collor e brigou com o Dunga. Acho que estão tão ocupados na sua conspiração para eleger o Serra que nem repararam nos libelos do socialismo revolucionário contra a sociedade industrial e a comunicação de massas e a hegemonia cultural do ocidente que andam veiculando por aí.

Acho que uma análise do conteúdo nem é necessária, já que ele fala por si, mas eu tenho de dizer que sou particularmente fã do comecinho onde a conta da violência é espetada nas costas da sociedade e o conceito de responsabilidade individual é transformado numa fantasia da sua imaginação burguesa. Daí, é claro, o negócio fica mais legal – violência, mas violência mesmo, na verdade, é a opressão das mulheres pelos homens, dos pretos pelos brancos e dos ricos pelos pobres. “Mas meu pai sofreu um sequestro relâmpago em fevereiro e…” – cala a boca que tu não é mulher nem preto nem pobre e não sabe do que tá falando.

Aqueles que algum dia chegaram a se preocupar com a influência ideológica da TV Brasil podem dormir sossegados. A boa notícia é que ninguém assiste à TV Brasil. A má notícia é que eles não precisam da TV Brasil.

A joy forever

sexta-feira, maio 14th, 2010


“Let Ambition fire thy Mind”, da ópera The Judgement of Paris de John Eccles. Christian Curnyn (condutor), Susan Bickley (mezzo-soprano) e coral da Early Opera Company. Trecho do libreto retirado daqui.

Juno sings.
I.

Let Ambition fire thy Mind,
Thou wert born o’re Men to reign,
Not to follow Flocks design’d;
Scorn thy Crook, and leave the Plain.

II.

Crowns I’le throw beneath thy Feet,
Thou on necks of Kings shalt tread,
Joys in Circles Joys shall meet,
Which way e’re thy fancy’s Lead.

III.

Let not Toils of Empire fright,
(Toils of Empire pleasures are;
Thou shalt only know Delight,
All the Joy, but not the Care.

IV.

Shepherd, if thou’lt yield the Prize,
For the Blessings I bestow,
Joyful I’le ascend the Skies,
Happy thou shalt reign below.

Chorus.

Let Ambition fire thy Mind,
Thou wert born o’re Men to Reign,
Not to follow Flocks design’d;
Scorn thy Crook, and leave the Plain.

Direto ao assunto com a ex-ministra do Presidente Lula

sexta-feira, maio 14th, 2010

Uma das melhores coisas que já apareceram na interseção entre a internet e as eleições, EVER. Imperdível. Obra deste sujeito aqui, que por enquanto permanece anônimo.

Episódio 1: Família

Episódio 2: Literatura

Episódio 3: Meio Ambiente

Episódio 4: Copa 2010

A joy forever

domingo, maio 9th, 2010

Marina Abramović, “The Artist is Present” (2010). Performance. Vi hoje no MoMA.

Mais:
Micro-site no MoMA
Flickr oficial com fotos dos visitantes que se sentaram com ela
Marina Abramović made me cry

Bonus track:

Marina Abramović & Ulay, “Rest Energy” (1980). Performance.

Does it?

segunda-feira, março 8th, 2010

Does the free market corrode moral character? O livre mercado corrompe o caráter? Assim perguntam os presbiterianos da Quinta Avenida.

Katyn

sexta-feira, fevereiro 26th, 2010

Se você não assistiu Katyn por preguiça, então assista aos dez minutos finais. Acho especialmente apropriado nessa semana em que vimos o Lula abraçar um ditador que é um herdeiro direto desse legado. Li não sei onde, acho que foi no Reinaldo Azevedo, que alguém chamou o Raul Castro de “facistóide”, e é interessante como alguém tem de recorrer ao outro lado do espectro ideológico para xingar um comunista. Chamá-lo de “comunistóide” não basta. E enquanto políticos vão para a defensiva ao serem chamados de “neoliberais”, o Brasil tinha, na última vez em que eu contei, DOIS partidos comunistas. Bem, gente muito mais inteligente que eu já discorreu páginas e mais páginas sobre o assunto. Do alto da minha ignorância só posso dizer uma coisa: assista Katyn.

Coisas que me irritam sem nenhuma razão aparente, parte um

domingo, fevereiro 21st, 2010

Charlotte Gainsbourg como “style icon” no caderno Sunday Styles do New York Times e Jane Birkin como “the aesthete” na revista How to Spend it do Financial Times. No mesmo final de semana. Aponto, mas me recuso a comentar.

John Cage: 4′33″

domingo, fevereiro 14th, 2010

Da Wikipedia, tradução livre:

Em 1951, Cage visitou a câmara anaecóica da Universidade de Harvard. Uma câmara anaecóica é uma sala projetada de tal maneira que as paredes, teto e piso absorvem todos os sons produzidos dentro da sala (ao invés de refleti-los como eco) e também é feita à prova de som, para evitar interferência de qualquer ruído externo. Cage entrou na câmara esperando ouvir o silêncio, mas como ele escreveu depois, “eu ouvi dois sons, um agudo e um grave. Quando descrevi os sons ao engenheiro responsável pela câmara, ele me disse que o som agudo vinha do funcionamento do meu sistema nervoso, e o som grave era meu sangue em circulação.