A joy forever

agosto 26th, 2009 by B.F. Carvalho

criacuervos - Share on OviCarlos Saura, Cría Cuervos, Espanha, 1976

Provavelmente sem querer, ele fez o melhor filme de todos os tempos sobre a infância.

Jaboticaba, Kichute, Marina Silva

agosto 21st, 2009 by B.F. Carvalho

wtf - Share on Ovi

UPDATE: Maldita imprensa golpista! O meu post abaixo foi baseado em um artigo da Época de Maio de 2008, que recebeu pouquíssima repercussão dada a importância da coisa. Hoje, Marina Silva diz em uma entrevista na Folha que não é criacionista, mas estava defendendo o direito das escolas religiosas de ensinarem o criacionismo, desde que se atenham ao currículo tradicional. From the horse’s mouth:

Um jovem me perguntou o que eu achava de as escolas adventistas ensinarem o criacionismo. Respondi que, desde que ensine também a teoria da evolução, não vejo problema. A partir daí, as pessoas começaram a dizer que eu estava defendendo o criacionismo. Sou professora, nunca defendi essa tese e nem me considero criacionista. Porque o criacionismo é uma tentativa de explicação como se fosse científica para responder a questão da criação em oposição ao evolucionismo.

Então, com o alerta acima, segue o post original.


Longe de mim falar mal de Marina Silva numa hora dessas. No que me concerne, ela é uma santa, e eu sou PV desde criancinha. Com Marina Silva de um lado e Dilma Roussef do outro, as eleições 2010 vão pegar fogo. Adicione-se a isso que ano que vem também tem Copa do Mundo, e eu estou pensando seriamente em voltar para o Brasil.

Marina Silva de um lado e Dilma Roussef do outro. Você consegue pensar em alguma coisa que deve causar mais desprezo na Dilma que a Marina Silva PENSANDO QUE É GENTE e querendo pagar de candidata? Quando trabalhavam juntas, a vida de uma (Marina) consistia em azucrinar a vida da outra (Dilma) bloqueando as obras maravilhosas do PAC, afinal, Marina era dona do nihil obstat ambiental do governo Lula. Tanto fez, que pediram para ela dar licença. Não sei se adiantou muito – o cara novo também reclama das mesmas coisas, mas parece que ao contrário de Marina Silva, ele dá condição de jogo. Então – mal Dilma Roussef se vê livre desse ENCOSTO, ela tem a EMPÁFIA de ir para o PV e se candidatar a presidente. Aí não tem câncer que aguente, né Dilma? KARMA IS A BITCH e Dilma deve estar louca para dizer umas verdades para Marina Silva.

Como eu disse, essa eleição promete. Ainda arrisca o Ciro Gomes sair candidato também! Deus do céu – se eu fosse a Net eu ia vender o pay-per-view da eleição.

Mas até aí é só diversão né? Mas deixa eu mudar de assunto um pouquinho aqui porque lendo sobre isso eu notei algo que me deu um NÓ na cabeça: a Marina Silva é missionária da Assembléia de Deus e (tcham, tcham) CRIACIONISTA.

SIM, PÁRA TUDO. Criacionista. Quando eu li isso, fiquei uns quinze minutos em choque. Parado, com as mãos no teclado, a boca semi aberta e um thousand-yard stare em direção à tela do computador. A ex-Ministra do Meio Ambiente do Brasil, respeitada como um potentado na área, é criacionista. O nível de bizarrice disso é como se me contassem que o presidente da Planned Parenthood é um padre católico.

Deixe-me explicar o nível do surrealismo. O pacote Assembléia de Deus vem com uma série de items, um arcabouço filosófico (sic), e o criacionismo é só um pedaço. Outros items são essenciais. Por exemplo, a crença de que o homem é o senhor da criação, o pináculo da obra divina e senhor de tudo que Deus colocou sobre a Terra. Outra parte é que esta realidade, esse vale de dor e lágrimas que compartilhamos, é uma realidade transitória e efêmera. A qualquer momento, “como vem o ladrão de noite”, Jesus voltará e todos seremos julgados, e os ímpios serão jogados no lago de fogo e os justos ganharão a vida eterna no que imagino que seja uma versão celestial da Costa do Sauípe.

É nisso que Marina Silva acredita. UM o homem está aqui para usar e abusar do planeta e DOIS é bom sempre deixar uma muda de roupa separada porque qualquer hora O Homem vem aí. Agora vocês me digam como uma pessoa que acredita nisso consegue ser Ministra do Meio Ambiente? Como uma pessoa que acredita nisso embarga obras que potencialmente servirão aos homens em nome do impacto ambiental que pode matar, say, uma garça?

Eu te conto como – Marina Silva nunca parou para pensar nisso. Ela nunca sentou com um copo de qualquer merda na mão e fez uma profunda auto-análise tomando como premissa “será que tudo que eu sei está errado?”, como qualquer homem de bem deve fazer periodicamente. Não. Marina Silva simplesmente acumulou um coletivismo triunfalista em cima do outro – ambientalismo com assembléia de Deus com luta de classes sem nunca parar para pensar que uma coisa não tem nada a ver com a outra.

E o fato que essa mulher, esse intelecto rasteiro, ficou no governo de um país como o Brasil o tempo que ficou, praticamente sem ser incomodada a não ser por pressões de dentro do próprio governo, mostra, mais uma vez, que isso só pode ser aquele tipo de coisa que só existe no Brasil. Jaboticaba, Kichute, Marina Silva.

Blitzkrieg Bop

agosto 2nd, 2009 by B.F. Carvalho

Direto de Alpine, Texas. Para saber mais: Stormhoek.com

Ortodoxo

agosto 1st, 2009 by B.F. Carvalho

Mao_Jordan_cropped - Share on Ovi

Wladimir Pomar é “o maior especialista brasileiro em China”. Entre aspas porque não fui eu quem disse – foi o Idelber, o maior especialista brasileiro em Irã.

A China é um assunto pelo qual eu tenho um certo interesse, então a existência de alguém reconhecido como “o maior especialista brasileiro em China” atiçou a minha curiosidade e claro que eu cliquei no link e AINDA BEM QUE ARREPENDIMENTO NÃO MATA, PORQUE SENÃO JÁ ESTARIA EU DURO E GELADO NO CHÃO DO MEU APARTAMENTO.

Mas vocês já sabem eu não caio em roubada sozinho, então vou compartilhar com vocês algumas pérolas de Wladimir Pomar. Os primeiros dois terços da entrevista são um remédio contra a insônia. É Wladimir tentando entender as mudanças atuais da China sob a luz de um sub-marxismo dos mais rasteiros. É triste. Não, mentira – É HILÁRIO.

Mas passando por isso chegamos na parte crucial da entrevista, onde ele é perguntado sobre a repressão política na China. A conversa começa em Internet. O seguinte diálogo toma lugar:

Fórum – Parte significativa da esquerda faz restrições ao sistema chinês e a acusa de ausência de instrumentos democráticos, como a internet, por exemplo…
Pomar – É muito desconhecimento sobre a China. Ela, como qualquer país, tem algum tipo de controle sobre a internet.

Fórum – Mas em geral os controles são…Pomar – Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, tem controle.

Fórum – Não tem controle.Pomar – Claro que tem.

Fórum – Controle?Pomar – Eles não dizem que estão controlando, mas tem controle. Eles têm controle eletrônico, estão em cima, cortam a internet quando precisam. O que a China faz é isso. Não vou dizer que a China não faz, ela faz.

Este já seria o momento onde o jornalista sério pediria para sair para cagar e desapareceria. Mas esta é a revista Fórum né? E não confunda com aquela revista Fórum dos bons tempos, que vinha encartada na Ele&Ela, apesar do conteúdo ser o mesmo – fantasias masturbatórias. Esse “Fórum” vem de “Social Mundial” mesmo.

Logo o assunto cai na Massacre da Praça da Paz Celestial. Ele tenta driblar a pergunta e sai numa tangente onde fala bobagens dignas de nota. Mostro aqui só o comecinho:

Se pegarmos a China de hoje, do ponto de vista de democracia de base, é provavelmente a maior democracia do mundo(…)

Segue-se a esta frase uma diatribe sobre a capilaridade do Partidão na China. De onde se conclui que esse negócio de eleição direta é overrated. Democracia boa é um eterno orçamento participativo. Mas logo o assunto da Praça da Paz Celestial surge de novo. Vamos ver o que Wladimir tem a dizer a respeito:

Fórum – As manifestações e as greves não são fortemente reprimidas?
Pomar – Cadê a fotografia? (…)

tianamen_square_1989 - Share on OviQUAL FOTOGRAFIA, WLADIMIR? ESSA?

Tem mais. Esta é a parte “interessante” (no sentido da praga – heh – chinesa) onde o homem Wladimir, confortável entre amigos, deixa cair todo o pragmatismo revolucionário que aprendeu no berço e em suas “mais de 20″ viagens à China.

Justiça seja feita ao maior especialista brasileiro em Irã – é aqui que Idelber e Wladimir, apesar daquele considerar este “o maior especialista brasileiro em China”, divergem. Idelber acha que a visão de Wladimir sobre o massacre é “ORTODOXA”. Convido vocês a conhecerem toda a “ortodoxia” de Wladimir Pomar:

Mas quando algo explode, você tem dois caminhos. Ou deixa ser devorado ou devora alguns para resolver. Foi o que aconteceu em 1989. Chegou num ponto que ali era o seguinte, ou “nós” ou “eles”. Ali não tinha ninguém inocente, embora a orientação para os soldados fosse a de só usar as armas em último recurso. Tanto que apesar da dimensão que a coisa tomou, não teve mais de dois mil mortos. Dois mil mortos num universo de trezentros mil, quatrocentos mil, não é nada. (…)

Morreram também muitos soldados. A maior parte, o maior contingente de mortes, foi de soldados, que foram atacados por bombas molotov, ácidos, gases. Não foi um negócio espontâneo. Há ali uma tentativa organizada e a coisa descambou para isso. (…) Chega num momento que não tem jeito. Ou você é degolado, ou degola um ou dois e resolve o problema.

E quando você acha que não dá pro Wladimir continuar cavando o próprio buraco porque ele vai acabar saindo (heh) na China, ele fecha com chave de ouro:

Não vamos achar que você faz omelete sem quebrar os ovos.

“Ortodoxo” é uma palavra que nem passou pela minha cabeça para descrever a imundície que saiu da boca desse sujeito. Millôr Fernandes disse “não se amplifica a voz dos imbecis”, mas o que fazer quando se tropeça num sujeito desses? A vontade de ignorar é muito grande. A vontade de alertar os outros é maior.

I kid you not

julho 31st, 2009 by B.F. Carvalho

Um cara buscou no Google “o que responder quando perguntam em uma entrevista onde voce se ve daqui a 5 anos” (assim, ipsis literis) e caiu nesse post.

Espero que ele tenha seguido o conselho.

Wikipedia Golf

julho 31st, 2009 by B.F. Carvalho

aircraft-carrier-with-golf-course - Share on Ovi

Minha contribuição para o futuro da humanidade – Wikipedia Golf. O “Wikipedia Hitler Game” já é conhecido e já está documentado em outros lugares das Internets. Para quem não conhece, esse é o jogo:

1) Acesse a homepage da Wikipedia em Inglês.2) Clique em “Random Article”3) Tente chegar no Hitler no menor número possível de cliques (meu recorde é 3).

Pois eu estava aqui na Internet papeando com o velho amigo Ceió via IM e com a esposa face-to-face e fomos experimentando algumas maneiras de tornar o jogo mais interessante. Daí surgiu o Wikipedia Golf, o esporte dos reis. Ao invés de Hitler, uma lista de “destinos” (ou “buracos”) aonde você tem que chegar com o menor número de “tacadas” possível.

Como no golf, cada buraco tem um “par“, que é o número médio de tacadas que um jogador médio levaria para completar aquele buraco. Se um buraco é par 4 e você o completa em 4 tacadas, você tem zero pontos. Completando em 6 tacadas, você tem 2 pontos, ou “double bogey” como dizem os iniciados. 2 tacadas e você faz -2 pontos, “two under par”, ou “eagle”. A idéia é terminar o jogo com o menor número de pontos possível.

Aí começamos então a criar o campo de wikipedia golf definitivo, começando, óbvio, pelo Hitler, patrono do esporte, e passando por outras figuras históricas carimbadas. Temos aí agora esse “campo” de cinco buracos, com par definido por várias tentativas de chegar ao resultado por diversos caminhos. Se você tiver uma idéia de bons buracos, com um par mais ou menos definido, a caixa de comentários é serventia da casa.

Algumas regras adicionais do Wikipedia Golf. Divirta-se!

Algumas regras adicionais:

  • O jogo começa sempre a partir de um Random Article da Wikipedia em Inglês.
  • Adicione dois pontos ao seu resultado se você tiver que consultar à página de destino para verificar a melhor estratégia de como chegar ao buraco
  • Adicione um ponto para cada página em que você usar a busca por palavra-chave (CTRL+F). Por um ponto você pode fazer múltiplas consultas em uma mesma página.
  • Cliques em links contam. O uso do back não conta. Se você chegar a um dead-end e tiver que voltar, os cliques que você deu para chegar até ali contam, mas o uso do back sai de graça.
  • Cliques dentro de uma mesma página (por exemplo, clicar no índice de um artigo longo que é apenas um atalho para a parte correta da página) não contam.

Rodrix

maio 29th, 2009 by B.F. Carvalho

Para ler ouvindo.

Fico sabendo, depois de todo mundo, que morreu Zé Rodrix. Não vou ser hipócrita e ficar falando aqui “que perda, etc.” Nem conhecia a obra do sujeito direito, que dirá o próprio. Tudo que eu sabia dele eram duas coisas: UM ele era do Sá, Rodrix & Guarabyra quando eles compuseram a música acima (que eu acho que está no top 10 da música brasileira) e DOIS ele dizia que a tal da Lei Rouanet era uma babaquice.

Sobre o item dois, em tempos imemoriais eu escrevi um post no saudoso (sic) RTFM sobre a surpresa que tive com uma declaração de Zé Rodrix. Vou repetir aqui na íntegra. ROLL THE TAPE.

Zé Rodrix se recusa a meter a mão no que é seu

Do blog do Bruno Garschagen vem uma notícia das mais inacreditáveis que eu já li, tirada d’O Globo. Leia aí que eu comento depois:

Tem Lei Rouanet? Estou fora

Músico pede para sair de espetáculo com incentivo fiscal

O músico Zé Rodrix, um dos diretores do espetáculo “Rei lagarto”, sobre a vida de Jim Morrison, pediu demissão. Tomou a decisão ao ler, em Gente Boa, que a peça, com estréia marcada para outubro, teria fundos da Lei Rouanet. Ele enviou o seguinte e-mail aos produtores:

“Acabo de descobrir exatamente nos detalhes desta notícia que não vou mais participar do projeto. Vocês conhecem a minha opinião sobre Renúncia Fiscal e Leis de Incentivo. Enquanto isto era um empreendimento privado, no máximo com os patrocínios e os apoios diretos de empresas que se associariam ao empreendimento, eu estava dentro. Infelizmente, ao entrar na jogada da Lei Rouanet, MiniCul etc., ele se torna impossível para mim.

Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público.

Desejo ao pessoal da produção o máximo de sorte e sucesso possíveis, e sei que serão muito felizes, graças à qualidade artística de todos os envolvidos.”

É mole? Eu sei, volta lá e lê de novo. Parece sacanagem. Volta lá, lê de novo. Eu espero.

(…)

É mole? Não tenho outras palavras para descrever – JE SUIS CHOQUÊ. Veja bem, queridão – eu imagino que existam outros artistas que também, sejam, a princípio, contra o ASSALTO À MÃO ARMADA que se tornou a cultura brasileira desde a introdução das leis de renúncia fiscal. MAS DAÍ A SE RECUSAR A ENTRAR NO TREM DA ALEGRIA, ou pedir para sair depois que ele já está em movimento, aí já é demais. Eu achei que ia morrer sem ver isso.

E COMO SE NÃO BASTASSE, ainda escreve uma carta pública mostrando que ENTENDE DO QUE ESTÁ FALANDO e passando um sabão nos estelionatários que estão aí fazendo OBRAS DE ARTE com o seu dinheiro.

Zé Rodrix, eu te amo. Eu estou até emocionado. Você acabou de fazer por merecer o meu dinheiro, sério. Faz favor, meu filho, dá uma passada aqui em casa, passa aqui nesse finde que eu te faço um cheque.

Zé Rodrix, você é meu ídolo.

Interessantemente, esse post virou um local de peregrinação de esquerdopatas de todos os tamanhos e plumagens. Uma população diversa, unida por uma única característica: a total falta de escrúpulos em meter a mão no bolso alheio. Separei abaixo alguns dos comentários mais interessantes (são quase todos, na verdade). Os grifos são meus. ROLL THE TAPE.

Caro, me desculpe, mas essa posição do Zé Rodrix é pura hipocrisia, além de outros adjetivos mais escatológicos, que não vale a pena expor. Depois de ser o maior “jingleiro” chapa-branca na época da ditadura ele resolve virar (de público) o cocho onde se alimentou por anos… Podemos falar de várias formas da Lei Rouanet, mas ela possibilitou que vários grupos de arte popular se fizessem conhecidos, bem como espetáculos maravilhosos, idem… Basta ver hoje o “Porto Alegre em Cena”, originado e iniciado com esta verba… Sei das dificuldades de se conseguir estes recursos desta forma. De cada 1.000 projetos aprovados, 20 recebem dinheiro. E para isso, muita batalha e muitos “nãos” são ouvidos… Acho que o Sr. Zé Rodrix não tem moral para falar deste assunto.

Fora o certo nojinho que me dá de pensar no “Porto Alegre em Cena”, eu gosto mesmo é dessa estatística: para cada 1.000 projetos aprovados, 20 recebem dinheiro. O que significa que houveram 980 projetos PIORES que o “Gatão de Meia Idade – O Filme” (eu adoro essa porra desse exemplo e não consigo parar de usar, foda-se). Pense nisso. Ah e claro: ZÉ RODRIX = COLABORACIONISTA ASSIM COM OS HOME.

Eu acho muito engraçado esta postura do artista, pois vemos tantos projetos excelentes que não recebem de forma alguma apoio do setor privado. Consequentemente estão por ai muitos artistas pobres que pelo amor a arte não têm nem comida em casa. Agora vejamos uma coisa… gasta-se tanto dinheiro público sem explicação, investir o dinheiro público em ARTE é um bom começo para mudar o país. As crianças/artistas do futuro agradecem!!

Adoro essa coisa mitológica, arquetípica, do gênio esfomeado, mal nutrido, tuberculoso, morando em um sótão imundo, de favor, esperando seu break, sua chance para MUDAR A SOCIEDADE OCIDENTAL e REVOLUCIONAR O MUNDO COM A SUA ARTE. E se você não puser a mão no bolso, caro amigo, nosso artista vai morrer deitado em uma poça do próprio sangue em um acesso de tosse e o mundo não vai ser virado de ponta-cabeça pelo seu gênio incompreendido. Se você não puser a mão no bolso AGORA, vai ser tarde demais. Adoro essas discussões que se desenvolvem com base nessas personas, esses seres que não existem na verdade mas que se existissem, bem, VOCÊ NÃO FARIA ALGO A RESPEITO? É o mesmo tipo de gente que gosta de ter longas discussões sobre crime e castigo (não o livro, mas os atos) só para poder falar “MAS E SE FOSSE SUA FILHA?”. Resposta automática Plus Ultra: “MAS E SE MINHA AVÓ FOSSE HOMEM?” “hã?” “EU TERIA TRÊS AVÔS. Anota aí no caderninho pra usar quando precisar.

Outra coisa que chama a atenção é a lógica do “já que se desperdiça tanto dinheiro nessa merda então PINGA NI MIM CARALHO”. Eu honestamente acredito que uma pessoa que não enxerga problema nessa afirmação está a um passo do latrocínio como profissão.

Infelismente acho que o sr mandou mau… Lei de incêntivo é a única esperança para muitos artistas especialmente para os menos favorecidos, lembre-se que o sr tambem teve seu começo. Se usada corretamente e sem atravessadores é exelente.

Bem – esse aqui eu não acho nem peculiar nem interessante, eu só acho ENGRAÇADO PRA CARALHO quando um sujeito tomado por uma indignação que não consegue mais conter no peito, resolve se engajar no debate livre, aberto e franco da internet. Poucas coisas me divertem mais, eu juro. Acho que é um daqueles momentos reveladores da natureza humana. O intelecto do cidadão mal absorveu os rudimentos da língua escrita e ele já se sente equipado para debat- AH, FODA-SE – INCÊNTIVO: LOL.

Essa posição radical do Zé Rodrix é uma puta estupidez. Para o conhecimento dele que coitado, como músico não tem a obrigação de ter um raciocínio econômico mais desenvolvido tenho a dizer o seguinte: Todo governo quando quer desenvolver uma atividade que considera estratégica faz por bem utilizar-se do seu poder de arbitrar preços para incentivar essa ou outra atividade. Todos os países desenvlvidos criam incentivos fiscais quando querem desenvolver uma determinada indústria ou tecnologia. Reduzir impostos é uma delas. Alíás no Brasil temos vários exemplos de subsidios que resultaram em benefícios. Quem não se lembra do Proálcool que hoje garantiu uma posição de vantagem da indústria brasileira no setor de combustíveis renováveis. Porque a Cultura não poderia receber recursos públicos incentivados ? O cinema tem recebido à anos e hoje além de gerar empregos de toda ordem essa indústria nascente começa a revelar talentos que sem o incentivo fiscal á essa atividade econômica talvez não tivessem a chance de mostrar oa mundo a sua menssagem (arte tem que ser vista como atividade econômica sim, pois que nem só de pincípíos, poesia e purismos ideológicos vivem os artistas)O que o Zé Rodrix fez foi o equivalente à um empresário dizer. Não não, não quero a ajuda do governo par incentivar o meu negócio pois acho que ele não é digno e não merece um empurraozinho. E ainda pior, mesmo sabendo que no seu stor de atividade grande parte das empresas estava falindo. Ora isso é burrice. Ainda mais quando a indústria cultural é algo pecliar. A arte precisa ser valorizada e ncentivada de todas as formas possíveis pois ela tem o poder transformador. Mexe com os sentimentos e com os pensamentos dos homens, é um instumento trasnformador e naõ pode ficar abafada na penúria e na falta de recursos. Toda a ajuda é bem vinda e a Lei Rouanet é um desses instumentos que muito tem contribuido para ajudar a arte no Brasil

Esse é o meu favorito, porque o sujeito claramente tem ali o seu curso superior (sic) e quiçá uma certa leitura (sic). Ele começa com uma interessante explanação sobre como o mecanismo da renúncia fiscal é uma arma importante do governo para desenvolver setores estratégicos e finge que ninguém vê o TAMANHO DO NON SEQUITUR quando ele começa a falar em aplicar a mesma lógica para a cultura. E mais curioso ainda, ali no meio ele diz “arte tem que ser vista como atividade econômica, sim”, mas imagino que um tipo ALIENÍGENA de atividade econômica onde o risco é zero e a necessidade de criação de valor é inexistente.

Note-se novamente o papo da arte na penúria, do pobre coitado do artista tuberculoso em seu sótão – olha ele aí de novo, coitado. ASSINA UM CHEQUE PRA ELE AÍ, DESALMADO.

Sr.Bernardo, Zé Rodrix, no meu entender, não se fez claro, ou, ainda, não tinha intenção de sê-lo. A produção Sorriso do Lagarto, realmente, não é merecedora de subsídios governementais, pois, seu objetivo é a obra do,excelente, artista norte-americano Jim Morrison, ou seja, alguém, já morto, que nada contribui ou acrescenta à cultura brasileira, portanto, trata-se de um projeto que jamais deveria ter sido aprovado. Captar patrocínios diretos junto ao perverso empresariado nacional, na verdade, é privilégio para poucos, Rodrix deve ser um deles, pois, como é sabido, há muito tempo trabalha para o setor publicitário. Setor este que não prima pelo apoio à cultura nacional, e, sim, visa, tão-somente, a obtenção de lucros, e o faz sob a total ausência de escrúpulos éticos ou morais. Sua atitude foi digna em relação, específicamente, a este projeto, mas, condenar as migalhas destinadas à cultura nacional é dose! A sociedade brasileira, definitivamente, não é composta só pela classe média pretensamente elitizada. Nela, também, sobrevivem, ou tentam, artistas oriundos de comunidades pobres, que, nem por isto têm menor valor. Estes, verdadeiros representantes de nossa cultura, não encontram patrocínios empresariais diretos nem no botequim da esquina!!! Falo como admirador da obra de Zé Rodrix desde Zé, Rodrix e Guarabira.

Duas coisas: 1) Estivesse eu cobrando por vírgula, milionário eu estaria. 2) Show de bola a lógica esquerdopata revolucionária onde o mercado publicitário não somente não apóia a cultura nacional mas busca apenas a obtenção de lucros (e daí?) e, como se não bastasse, o faz num vácuo de “escrúpulos éticos ou morais” (o que nem precisa falar, porque na cabeça dessas cavalgaduras a simples busca do lucro já denota a “ausência de escrúpulos”).

Bem, chega né? É esse então o grande legado de Zé Rodrix, junto com Mestre Jonas – ele tirou uma meia dúzia de gatos pingados esquerdopatas do sério e escreveu uma das grandes canções da MPB. Nós, comuns mortais, só podemos sonhar em realizar tanto.

Edson

maio 5th, 2009 by B.F. Carvalho

Sozinho, com fome e a pé em um hotel em Burlington, MA. Tenho uma noite provavelmente em claro à frente. Tenho que terminar o bilionésimo powerpoint da minha carreira para um workshop amanhã. Já saí ontem com o pessoal que está aqui comigo, dois israelenses e um russo, foi ótimo e tal, mas melhor não forçar a amizade e sair de novo, hoje é dia de se recolher. Resolvo pedir uma pizza na Domino’s que é barato e rápido, e depois do pedido ainda rola de ficar acompanhando o desenrolar da sua pizza num lance-a-lance ao vivo na web. De repente eis que vejo a mensagem “Edson has put your order in the oven”. Edson, trabalhando numa Domino’s, em Massachusetts – aposto que é do interior de Minas. E eis que de repente eu me sinto um pouco menos sozinho.

Não existe glamour que resista à realidade do business travel.

Mestiço

abril 20th, 2009 by B.F. Carvalho

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Eu gosto bastante do Reinaldo Azevedo. Acho ele um cara fenomenal. Ler o blog dele no celular é tipo a terceira coisa que eu faço toda manhã. É basicamente a minha principal fonte de informação sobre a terrinha.

Mas juro por Deus – a próxima vez que ele falar “de fato, Obama não é negro, mas mestiço”, eu vou para Higienópolis tocaiar o prédio dele. E quando ele aparecer vou dar um chutaço no saco dele e gritar “DEIXA DE SER CHATO, REINALDO”.

Puta que pariu, que coisa irritante.

O que o Papa tem de fazer para te agradar?

abril 19th, 2009 by B.F. Carvalho

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Outro dia o Papa falou um negócio que saiu na imprensa mais ou menos assim “camisinha não funciona”. Na verdade ele não falou bem isso, mas foda-se, né? O Papa já nasceu errado.

Aí uma amiga minha fala no Twitter* que isso é um absurdo que ela queria que o Papa morresse. Assim. Isso é o que o Papa tem que fazer para agradar a ela. Na verdade é um pouco mais complexo. Comentando que o Lancet estava exigindo que o Papa se retratasse, ela disse que na verdade ela “queria que ele morresse, mas se retratar é melhor do que nada”.

Para ficar bem aos olhos dela, não basta o Papa se retratar. Não basta o Papa abençoar o casamento gay. Não basta o Papa ensinar, no seu próximo Urbe et Orbi, a técnica apropriada da colocação da camisinha em um pepino – o Papa lá, colocando a camisinha no pepino, apertando a ponta para eliminar as bolhas de ar e evitar o rompimento do preservativo, explicando tudo direitinho. Uma drag queen segurando o microfone. Três ou quatro leather daddys ali na sacadinha com ele, dando tchau e jogando camisinhas pra galera. Isso não basta. Talvez seja melhor que nada também. Mas ela preferia mesmo que o Papa morresse.

Mas o foda é o seguinte – É muito confortável querer espetar os males do mundo nas costas da sociedade ocidental, representada neste momento por Sua Santidade, mas o problema é quando os fatos entram em conflito com a fantasia conspiratória que uns homens de batina nada mais querem do que dominar as pessoas, tirar a graça da vida, e confiscar o direito inalienável dos rapazes deste mundo de sair metendo a vara em qualquer coisa que se mova, desde que, claro, use camisinha. O mesmo vale para as moças. Não a parte de meter a vara, você me entende – ou vai exigir que eu use a expressão “abrir as pernas”? Thanks.

Então. Começa com o fato que o Papa não disse “camisinha não funciona”. Ele disse distribuição de camisinha não funciona”, o que são duas coisas radicalmente diferentes. Mas, aí, tô nem azul né? Que se foda o que o Papa disse.

Então II. Aí para complicar ainda mais o problema, aparece do nada um tal de Edward Green e vai no Washington Post para escrever peraí gente – é bem possível que o Papa esteja certo. É bem possível que distribuição de camisinhas não funcione e quiçá até piore o problema. E é bem possível que só uma coisa funcione: a decisão individual de segurar a onda, tomar um banho frio, ler um livro, rezar um terço, descascar o palhaço. E quem é esse tal de Edward Green? Bem, ele parece saber uma coisa ou outra sobre o assunto.

Mas que se foda o Papa, né? Papa bom é Papa morto. E que se fodam também os moços e as moças da África – sempre usando camisinha, claro.

——-* Eu não comentei sobre esse assunto com minha amiga nem sei se ela lê este blog. Ia falar, mas quando vi o tweet já tinha passado tempo e aí perdeu-se o momentum. Mas caso ela apareça por aqui, recado para ela: discordo em gênero, número e grau de você, mas tudo como dantes no quartel de abrantes, darling. Um abraço para você e para o marido e hope to see you again soon!